Capa / Roteiros / – Filme: O VINHO PERFEITO –
– Filme: O VINHO PERFEITO –

– Filme: O VINHO PERFEITO –

(VINODENTRO – Itália, 2013. Direção: Ferdinando Vicentini Orgnani, com Vincenzo Amato, Erika Blanc e Stefano Cassetti).

Imagine-se sozinho com uma boa garrafa de vinho, a taça adequada e os seus pensamentos… No início, os aromas anunciam com quem vamos “conversar”: aos poucos, vamos conhecendo a “personalidade” do vinho e a sua capacidade de nos fazer sonhar, enxergar além, sorrir, imaginar, constatar, concluir, desistir, enfrentar…

Existe lógica nisso? – Quem bebe o vinho sabe que sim. Nossas idas e vindas no tempo, nossas conclusões, nossos sonhos. Meditar com o vinho é uma salada de ideias que podem ou não resultar numa jornada lógica de fatos e pensamentos, dependendo da pessoa e do momento, é como se jogássemos xadrez com a taça e a vitória ou derrota da partida seria um sonho a ser desvendado.

Se você se identificou com os parágrafos acima, vá assistir “O VINHO PERFEITO”.

“Giovanni Cuttin é um bancário com uma vida simples, regada por suco, água e uma esposa que o ama. Um dia ele encontra um homem misterioso, que lhe apresenta o primeiro gole de vinho: aos poucos ele embarca num autoestudo sobre a bebida, progride e torna-se um sofisticado especialista em aromas, degustações públicas e conferências sobre o seu livro autobiográfico de vinhos, enquanto o enredo do filme se divide entre o real e o imáginário, e é imaginária a perigosa obsessão pela busca de um vinho perfeito – que pode trazer a ruína financeira aos incautos. – Nessas andanças, Giovanni se vê preso e acusado pelo assassinato da esposa e a investigação policial ruma por uma tortuosa e misteriosa estória envolvendo o gosto pelos vinhos…”

“- O que você faria se visse aquele velho vinho de guarda aberto e sendo tomado com gelo num copo de plástico por pessoas que não entendem?”

Sabe aquele conceito de que as melhores coisas do mundo não são coisas? Uma delas é o vinho, que explica um pouco a estória do desfecho absurdo contada no filme, mas quem bebe explica. É interessante a alusão ao vinho Marzemino, numa rara safra de 1949, também vinculado à ópera Don Giovanni de Mozart e que, por coincidência, é um vinho da região do Trento, onde mora o mulherengo protagonista (Giovanni).

Se o roteiro é um pouco confuso, é maravilhosa a fotografia da região trentina, a cena medievo-renascentista da capital Trento, os alpes, a paisagem ítalo-austro-húngara de uma região também famosa pelos seus vinhos, como o Valle dell’Adige, uma sucessão de cenas que dá ao espactador a impressão de estar viajando por meio de uma taça de vinho e a complexidade quase abstrata dos seus aromas, com direito a tango, festas, romance, mulheres e mistério.

Calma, não vai ter ópera nem tango. Vão sem julgar, vão pelo vinho, mas vão: confesso que sairão do cinema com uma vontade imensa de tomar um vinho perfeito, que é aquele que nos entende e que julgamos o nosso “vinodentro”.

Ainda em cartaz no Caixa Belas Artes e Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca.

Veja a seguir o roteiro do filme:

Sobre Luciano Duarte

Luciano Duarte

2 comentários

  1. Estive em São Paulo recentemente e um amigo havia comentado sobre este filme. Infelizmente não pude pegar uma sessão, mesmo estando hospedado muito próximo ao Belas Artes (que bom que ele voltou à ativa!).
    Quem sabe o filme aparece mais pra frente em algum serviço tipo Netflix, já que nos cinemas da minha cidade ele só apareceria por graça divina…

    Em tempo: fantástico o seu blog, já estou seguindo e acompanhando! O vinho entrou aqui em casa com força há muito pouco tempo, mas o estrago está feito e a fascinação só aumenta. :)

    • Luciano Duarte

      Muito obrigado pelos elogios!
      Eu realmente não tenho publicado tanto quanto eu gostaria, mas um comentário assim só me deixa mais animado a continuar.
      Seja muito bem-vindo sempre.
      Abraços.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Scroll To Top