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– Gran Bar Danzón –

– Gran Bar Danzón –

Calle Libertad, 1161 – Recoleta – Telefone: 54-11-4811-1108
Buenos Aires – Argentina

Localizado na Calle Libertad em um casarão do século XIX, o Gran Bar Danzon é um dos wine bares mais descolados de Buenos Aires: sobe-se uma escada reta de dois lances até chegar ao bar, que fica no segundo andar. Ao entrar, um bar com uma iluminação à meia luz, uma hostess, um grande balcão no bar, um lounge, um restaurante, DJ, som moderno, muito bom gosto, luminárias nas mesas. Você pode escolher entre jantar em uma das mesas ou ficar no wine bar, no balcão, de onde saem drinks com toda a simpatia e assessoria dos sommeliers. É um lugar mais indicado para se ir a dois ou para paqueras, e, como eu sempre viajo sozinho, entrei no clima.

A carta de vinhos é enorme, com muitos dos rótulos de todas as cepas que se adaptaram bem aos terroirs de Mendoza, Salta, Tucumán e Patagónia, entre outras regiões: dos aromáticos Torrontés de Salta aos estruturados Malbec, passando por cortes no estilo bordalês, para todos os bolsos, o bar oferece um cardápio bastante eclético, que vai desde a gastronomia argentina aos sushis e sashimis, perfeitamente harmonizados com Sauvignon Blanc.

Minha experiência:

Fui ao Gran Bar Danzon pela indicação do dono da loja Che Wine : a primeira impressão foi a deixada pela hostess, bonita, simpática, preocupada em saber se eu queria sentar-me ao balcão ou à mesa. Olhei um tanto indeciso e optei pela mesa. Era uma segunda-feira e o que mais me atraíra naquele lugar antes de ir para lá era que, em plena segunda-feira, fechava bem tarde. Eu estava de férias, portanto, não queria voltar para o hotel para dormir, assim, pude aproveitar a noite alí. Trouxeram-me a carta de vinhos: um livro pesado, com todos os rótulos possíveis e inimagináveis dos vinhos argentinos, de diversos cantos do país. As opções em taça, contudo, eram menos diversas, mas ainda assim acima da média. Optei pelas taças: comecei com um Sauvignon Blanc, em seguida um Chardonnay e depois rumei para um Cabernet Franc e um Syrah para terminar. Quanto aos pratos, pedi uma entrada e um prato principal, quando na verdade poderia pedir só um ou o outro, já que são fartos.

Enquanto bebia e comia, o bar foi enchendo. Olhei para o balcão e vi gente bonita, de ambos os lados. Gostei do balcão, e decidi que ficaria nele na próxima vez. Enquanto estive à mesa, o serviço foi impecável. Havia um DJ governando o som, moderno, audível sem ser incoveniente, e o bar escuro foi criando diversas estórias particulares a cada mesa e lugar ao balcão ocupados. Como havia acabado de voltar do Chile, deu vontade de tomar um Pisco Sour: expliquei à garçonete que gostei muito desse drink no Chile, que acabara de chegar de Santiago. Ela disse que esse drink realmente não constava na carta, mas ía ver o que poderia fazer. Passados uns 10 minutos, lá vem ela com uma bela composição branco-esverdeada, uma espuma cremosa, dentro de um copo de cristal arredondado que, ao contrastar com o ambiente escuro, fazia uma bela imagem… O Pisco Sour estava fantástico.

Pizco

Terminado um, pedi outro e a garçonete me perguntou o que eu havia achado do drink:

“Muy más exquisito que el de Santiago!” – Opinei.

“YESSSSS!” – Respondeu a moça, fechando a mão em punho, num gesto de “vitória”

Lembrei-me então da rivalidade que contrapunha esses dois países separados pela grandiosa cordilheira dos Andes… Tudo começava lá nos tempos dos generais San Martin e O’higgins: os argentinos atribuem a independência do Chile a San Martin, e os chilenos, a O’higgins. Depois, na guerra das Malvinas, o chileno Augusto Pinochet – amigo de Tatcher – se posiciona ao lado dos ingleses…

“Ah, vamos beber!” – Pensei – “Libertar vários países de cima de um cavalo, com uma espada em punho, do alto das inóspitas cordilheiras dos Andes… Esses caras eram machos mesmo!”

Saí bem feliz da minha balada de segunda feira… Barato não foi para nem para os padrões de Buenos Aires, mas para os padrões paulistas, foi bem justo sim. Resolvi que voltaria lá para ficar no balcão, o que parecia bem mais divertido.

Na quinta feira da mesma semana, retornei. Estava bem mais cheio e festivo. A mesma simpática hostess me reconheceu e perguntou se eu preferia a mesa, ao que eu respondi que dessa vez queria conhecer o balcão. Ela me conduziu ao balcão e os sommeliers se apresentaram a mim. Na verdade, quem conduziu o atendimento foi uma sommelière, uma moça de cabelos castanhos claros, muito segura de suas indicações. Dessa vez, eu fiquei com o sushi, harmonizando-o com Torrontés de Salta. Conversamos sobre o Torrontés. Pedi logo uma garrada dessa vez e tomei-a inteira. Depois, avistei um Ice Wine argentino na carta e perguntei a ela se era mesmo um Ice Wine, ao que ela disse que sim.

“Pero… Tu sabes lo que és un Ice Wine? Cómo él ha sido hecho?” – Perguntei para testá-la.

A jovem moça deu-me uma verdadeira aula de Ice Wine, e deixou-me de boca aberta. Pediu licença e explicou a carta em Inglês a um outro gringo que tinha dúvidas…

“Puxa!” – Pensei – “Sabidos os sommelieurs argentinos…”

O bar enchera naquela quinta-feira. O DJ empolgara-se, o balcão ficou repleto de gente. A noite fluía feliz naquela véspera de sexta.

Depois do banho de Ice Wine, a sommelière e eu ficamos simpáticos um ao outro. Trocamos idéias, falamos sobre política, sobre a situação da Argentina e do Brasil, se São Paulo consumia vinho, o que nós brasileiros achávamos dos vinhos argentinos, qual era o salário de um brasileiro médio, para comparar com o de um argentino médio, enfim, a noite passou e lá pela 1:00 da manhã, pedi um Pisco Sour para finalizar. A essa altura, os demais funcionários já me encaravam com uma certa familiaridade… Saí satisfeito do Danzon e fiquei pensando na falta que um wine bar balada faz em São Paulo…

Buenos Aires tem seus únicos encantos… Uma cidade que, mesmo assolada pela crise, cultua o seu “joie de vivre” à moda antiga… Aí você olha para o céu e vê uma cúpula de um velho edifício beijando a lua e reconta as vezes de voltar.

Sobre Luciano Duarte

Luciano Duarte

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