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– MoDi Gastronomia – Bom e Barato –

– MoDi Gastronomia – Bom e Barato –

Rua Alagoas, 475 – Higienópolis – Telefone: 11-3564-7028
Avenida Higienópolis, 618 – Higienópolis – 11-3823-2663

Já faz algum tempo que começaram o projeto do restaurante MoDi: o lema da casa era promover pratos da cozinha italiana a preços justos no bairro de Higienópolis, originalmente o bairro dos quatrocentões paulistas, escolhido pelos judeus como nova morada. Daí a ideia de se criar um restaurante na cidade mais italiana do Brasil homenageando ninguém menos que o grande pintor italiano de origem judaica, Amedeo Modigliani.

Da praça Buenos Aires, no térreo do edifício Paquita, um interessante edifício modernista da década de 40, a empreitada rumou para o Shopping Higienópolis: entrando pela livraria Saraiva, uma das primeiras lojas da entrada da Avenida Higienopolis, o restaurante é bonito e sofisticado, com uma farta carta de drinks e uma respeitável adega, que curiosamente não considera rótulos da França:

“Essa é uma casa italiana!” – Responde o sommelier, que também comanda o bar e é autor de alguns drinks. No entanto, há rótulos de Israel, das colinas de Golan, além da Espanha e da Itália, Argentina e Chile, com preços honestos.

Em tempos de crise, é uma boa pedida para o almoço ou jantar: o MoDi abre para o almoço e segue aberto até fechar, sem pausa, às 23h00. O ticket médio é baixo, os pratos mais caros não chegam a R$50,00 (julho/2015), além das entradas e sobremesas baratas e boas opções de vinhos em taça.

Minha experiência:

Apesar de gostar de arquitetura, prefiro a casa do Shopping Higienópolis, mas a do edifício Paquita é também muito interessante, e, arquitetura por arquitetura, o MoDi do Shopping Higienópolis tem uma saída para dois palacetes de 1910, outrora residências da elite do café, no estilo eclético e perfeitamente preservados. Gosto mais da unidade do Shopping Higienópolis.

As entradas são todas muito baratas e sofisticadas: os preços das entradas difilmente ultrapassam R$15,00 (julho/2015). Provei o ‘cone al mare’ – lulas empanadas embaladas em um cone de papel com um molho picante – porção perfeitamente crocante e harmoniosa. O ‘ravioli de gema de ovo caipira’ é bastante suave e surpreendente e o ‘capeletti in brodo’ é delicioso e equilibrado. Como prato principal, adorei o ‘fusilli caseiro ao ragú de linguiça picante’, que é também bem barato. O ‘bavette al vongole’ é um pouco carregado ao alho, ou seja: para quem gosta de alho, harmoniza bem com um pinot grigio. No mais, há pratos de pato, frutos do mar, polentas e pratos da cozinha tradicional italiana, mais rústica, mas não menos gastronômica. Como drink, o ‘Dona Spitta’ é bastante refrescante: leva limão, espumante e cointreau, delicioso.

Nas vezes em que estive lá, topei com Renata Sorrah e o elenco da peça “Krum”, em temporada no Sesc Teatro Anchieta. A equipe do restaurante tem sido atenciosa e simpática e os garçons são bastante gentis.

É necessário chegar cedo, já peguei espera de 1 hora, mas, unindo o útil ao agradável, fiquei no bar, onde provei alguns drinks que só são encontrados no MoDi.

A breve existência de Amedeo Modigliani

Canceriano nascido em 12 de julho de 1884, Amedeo Clemente Modigliani ficara tísico logo aos 15 anos de idade. Aos 14 saíra da escola e resolvera ser artista. Aos 22 fora para Paris e vivera uma vida de misérias, vagando por diversos lugares e enchendo a cara de absinto em Montmartre. Depois, quando estava começando a saborear o sucesso e a maturidade artística, um rapaz que fora violento no amor até encontrar a paz em sua última musa, Jeanne Hébuterne, morre de turbeculose em 1920, deixando como o estilo o traço ininterrupto e os pescoços compridos de seus retratados.

Amigo de Léger, Picasso, Max Jacob, Foujita, Brancusi e Moise Kisling, o artista viveu perdido entre a escultura e a pintura, entre a admiração pontual veiculada por alguns mecenas ao desprezo da sociedade contemporânea à sua arte.

Modigliani viveu uma existência de frustrações. Não soube em vida da sua importância singular para a arte. Criou um estilo único e viveu intensamente. Em Montmartre, hoje um bairro disputadíssimo pelos turistas, passou privado de conforto, frequentando “bistrots” (botecos, por assim dizer, bistrô é romantismo): Na época Montmartre era habitada especialmente pelos pobres.

Sua última musa – Jeanne Hébuterne (1898-1920) – deu-lhe uma filha, que foi criada pela irmã do pintor, Margherita: Modigliani caiu em coma por 48 horas em seu atelier, morrendo tísico em um hospital de Paris. Sua companheira, Jeanne, em desespero, grávida de oito meses de seu segundo filho, salta da janela para a morte, aos 21 anos de idade, morrendo ela e o bebê, por ser amasiada numa França ainda presa aos julgamentos morais.

O MASP – orgulho de São Paulo – guarda pelo menos uma dezena de quadros desse artista.

AQUI: Modigliani – Obra Completa

Sobre Luciano Duarte

Luciano Duarte

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